BGS, Organização e Anti-Marketing

Foto: Osmar Portilho / Terra

A Brasil Game Show – BGS – tido como o maior evento de games da América Latina aconteceu entre os dias 08 e 12 de outubro. Grandes empresas do setor estiveram presentes. Gigantes como: Sony (Playstation), Microsoft (X-Box), Ubisoft (Assassin’s Creed e Far Cry), Activision (Call of Duty, Destiny), Capcom (Resident Evil e Street Fighter), EA Sports (FIFA Soccer e NBA Live), …

Segundo alguns relatos e vídeos compartilhados nessa nossa internet de meu deus, lemos/ouvimos que alguns produtores de vídeo (os chamados youtubers) foram “convidados a se retirarem do evento” por estarem causando tumulto no local. Trocando em miúdos: esses youtubers possuem uma legião de fãs tão doentes (no bom sentido) quanto fãs de bandas de metal. Aonde quer que um deles apareça, claro tendo um aviso prévio, terá uma certa aglomeração. Gente como BRKsEDU, Monark, Jovem Nerd, Venom Extreme, Vilhena, … Cada uma destas celebridades internéticas possuem centenas de milhares e até milhões de seguidores em suas contas no grande site de vídeos.

A organização do evento estaria dando uma pulseira para quem tivesse um canal com mais que 10 mil inscritos. Muito comentário falando que eles não deveriam receber a atenção toda da BGS, mas perai! Eles que são os donos do evento e propuseram a parceria. É de uma ingenuidade achar que no maior evento de games do país não haverá uma horda de crianças/adolescentes querendo conhecer os seus ídolos. E mesmo que eles não tivessem pulseirinha, apenas entrando no evento como uma “pessoa normal” deveriam ter o mínimo de planejamento. Em eventos passados ocorreu o mesmo problema.

Entendemos que o evento não tem como atividade-fim a socialização de fãs com os youtubers, todavia lapsos estratégicos como esse não podem acontecer. Essa variável deveria estar inclusa no desenvolvimento/metodologia de trabalho da empresa organizadora. O cenário era bastante previsível. Talvez seja necessário pensar num evento fechado apenas para a mídia especializada.

Sabemos que todos tem sua parcela de culpa: youtubers, organização e o próprio público… mas algumas pessoas estão criminalizando as vítimas. Quem tem responsabilidade, que é a organização do evento, é que tem que rebolar para administrar essas intempéries. E depois do erro, não é melhor admiti-lo e corrigi-lo? É muito difícil para a organização soltar uma nota oficial pedindo desculpas pela segurança e se comprometendo a melhorar o evento no ano seguinte? O que não pode é deixar o circo (e o nome do evento) pegar fogo nas redes sociais, mesmo que por pouco tempo, e não apresentar uma outra versão dos fatos. Empresas grandes geralmente, nesses casos, se comportam como a classe política. Após o problema pequeno ocorrido, não o resolvem, brigam com a vítima. O problema cria uma proporção maior do que o acontecido e o lado dos engravatados fica em silêncio esperando a ausência de memória das pessoas.

Em dezembro, entre os dia 04 e 07, será realizado outro grande evento de grande porte sobre a cultura nem tão nerd: a Comic Con Experience. Nomes como Scoot Snyder (quadrinista), Kirk Hammett (guitarrista do Metallica) são convidados do evento. Mas estes terão estrutura necessária para que possam ter um contato com os fãs sem que tenhamos riscos com a segurança. É de se prever que alguns donos de grandes canais do youtube também irão ao evento de dezembro. Convidados ou não! Porém, certamente eles aparecerão. Fica a dica para a Comic Con Experience. De nada!

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Impactos Socioeconômicos/Culturais do Turismo

Com 11% do PIB mundial estando vinculado ao turismo e 260 milhões de pessoas empregadas nessa área, vemos que o conjunto de atividades do turismo agrega números significativos. O turismo brasileiro ainda não se destaca perante o resto do planeta, porém grande parte dos segmentos desta área estão em nosso território. O turismo gera parcos 40 bilhões de dólares para os cofres tupiniquins. Valor irrisório para o potencial existente no Brasil

As razões mais preocupantes para o país não implantar um turismo forte são a falta de disponibilidade de recursos humanos e físicos existentes para se desenvolver os setores industriais e a agrícolas. Para a otimização do fluxo turístico, é importante que haja políticas de turismo nacional/estadual. Devem ser encontradas as soluções para resolver problemas de escassez de recursos, realizando atividades diversas em certas áreas.

Muitos países não tem mão de obra experiente que assumir a responsabilidade no estímulo e na coordenação do desenvolvimento turístico. O governo deve planejar o tipo de turismo e sua capacidade de carga turística limite (número máximo de pessoas numa localidade sem que ocorra a deterioração da zona turística) a fim de que haja um aproveitamento maior de ambas as partes. Autoridades governamentais também devem estabelecer políticas de preços equilibrando a demanda com a oferta turística. Leis locais devem ser alteradas ou criadas para promover seu fomento. E, ao mesmo tempo, preservar o patrimônio que a comunidade deseja manter. É importante que haja uma maior informação sobre o custo e o benefício do turismo para adquirirem o desenvolvimento desejado através de um planejamento adequado de acordo com as informações obtidas.

Para alguns estudiosos o turismo é uma indústria frágil e a colocam na área de “investimento de risco”. O turismo é muito dependente de fatores da demanda externa normalmente encontrada nos países desenvolvidos. Para outros estudiosos o turismo pode ser explorado como uma alternativa para os mercados perdidos. Um dos pontos mais positivos do turismo é a geração de empregos, porém grande parte desses empregos exige pouca qualificação e proporciona baixa remuneração. E muitos desses empregos são sazonais.

Outro fator importante do turismo são os gastos do turista. Isso faz com que haja um aumento na demanda de bens/serviços, o qual promove emprego e poder de compra para a população local. Mulheres e jovens que não teriam oportunidades de emprego tão rapidamente conseguiriam esses empregos através da indústria do turismo.

Contudo, o turismo pode degradar uma zona turística. Seja destruindo gradativamente o lugar ou “leiloando” essas terras. Por exemplo, aumentando o preço da terra de uma determinada área turística, facilitaria muito o comércio desta área para os estrangeiros, pois eles, teoricamente, detêm muito mais capital que as comunidades locais. Alguma semelhança com quase todas as cidades com potencial turístico no Brasil?

Outros tópicos relevantes seriam alguns valores antropológicos e culturais de uma região que poderia se descaracterizar para agradar os turistas. Na Bahia, por exemplo, o tamanho do berimbau foi reduzido para que ele coubesse dentro do espaço reservado para bagagem dentro do avião. Em alguns lugares, roupas típicas são deformadas porque os turistas não vestem as roupas, só as querem como lembrança. Todavia, através dessa aculturação surgem várias cooperativas de mulheres que começam a ter autonomia financeira, ameaçando a hierarquia patriarcal.

Pontos como empregos e transportes podem afetar negativamente uma cidade, pois alguns empregos, como dito anteriormente, são temporários. E com isso, as pessoas não criam vínculos com a atividade turística, porque com o término da alta temporada os empregos temporários são desativados. Já no caso dos transportes, a cidade tende a ficar congestionada. Turistas e comunidade local acabam competindo pelo mesmo serviço de transporte coletivo – que já não é dos melhores na maior parte do território brasileiro.

Quando o número de turistas ultrapassa o esperado ou o de costume, passaremos a ter um certo atrito social entre os receptores e os turistas. O crescimento da população também pode atrair negociantes indesejáveis como o tráfico de drogas, prostituição, jogos ilegais… O planejamento turístico efetivo poderia auxiliar novas destinações turísticas para que não entrem em declínio permanente. Também é importante, e necessário, rever os erros da exploração no passado, a fim de que impactos negativos sejam minimizados ou extintos.

Recomendação – Maus (História Completa) de Art Spiegelman

“Os judeus são indubitavelmente uma raça, mas eles não são humanos”. Hitler, Adolf.

A suástica na capa pode assustar os mais desavisados. Alguns podem crer se tratar de propaganda nazista; mas não. Lembrando que a suástica faz parte de diversas culturas como astecas, budistas, … Os alemães apenas desvirtuaram o significado do símbolo.

Maus (ratos em alemão) é uma graphic novel (quadrinho de luxo) desenvolvido pelo sueco-americano Art Spiegelman. A HQ contém quase 300 páginas e é toda em preto e branco. Sua diagramação básica é composta em grande parte de pequenos e vários quadros em cada folha dando velocidade a leitura sem perder esquecer de detalhes. Muitos criticam a grosseria dos desenhos, mas o próprio autor/desenhistas não acha que seus desenhos são importantes para o entendimento da obra. E ele está completamente certo.

O livro conta a história de Vladek Spiegelman – pai do escritor: um polonês judeu que conseguiu sair vivo dos campos de concentração da SS (Schutzataffel). Vladek narra para seu rebento, através de várias entrevistas como foi absurdamente desgastante (sobre)viver sob domínio dos nazistas.

Através dos relatos do pai, Art – que não tem uma boa relação com seu progenitor – começará a compreender porque seu pai se tornou um ser humano tão ligado a pequenas coisas. Mala, segunda esposa de Vladek, vive brigando com ele por causa desse ciúme doentio por objetos sem grande valor. Em Auschwitz (um conjunto de mais de 40 campos de concentração), Vladek não era dono de nada. Quando se viu fora do controle germânico começou o apego a qualquer objeto de posse sua.

O caráter sentimental utilizado por Spiegelman-filho não chega a ser melodramático, mas emociona qualquer pessoa que tem sangue nas veias. A separação de Anja (mãe de Art) e Vladek em campos de concentração diferentes e a luta para se unirem novamente mostra o quão amor o ser humano pode ter em momentos de extrema agonia.

A principal característica visual e grande sacada de Maus é a antropomorfização dos animais. Art separou as nacionalidades em diversos animais que possuem natureza semelhante aos povos citados citados no livro. Os judeus são ratos: vitimas indefesas. Os alemães são gatos: inimigos dos ratos. Os americanos são cachorros: adversários naturais dos gatos. Os poloneses são porcos. Segundo o autor a escolha de porcos se deve ao fato dos americanos gostarem dos suínos retratados em seus programas televisivos. Outras nacionalidades de menor importância são antropomorfizadas durante a história em quadrinhos. Provavelmente Art foi influenciado por George Orwell (A Revolução dos Bichos) e Kafka (A Metamorfose).

Esta graphic novel é a comics definitiva para aqueles que ainda teimam em achar que a técnica dos quadrinhos é uma arte menor, vazia e infantilmente fantasiosa. Maus é um relato de parte da 2ª Guerra Mundial digno de A Lista de Schindler, Ladrões de BicicletasBand of Brothers, A Queda, O Menino do Pijama Listrado. … Provavelmente Maus estará na mesma prateleira de Gen – Pés Descalços, Persépolis e Palestina. 

… mas ela(e) “curtiu” isso!?!?

 

Basta uma curtida fora do nosso padrão para julgarmos nossa futura presa. Supomos sermos superiores. Apenas nossos gostos e opiniões valem. Daí a guria (ou garoto) clica em curtir em algo que você ojeriza e “já era”. Toda a história que você já havia romanceado na sua cabecinha começa a se pulverizar.

Todo o perfil real (e virtual) que você imaginou na pessoa vai por “lixeira” abaixo. Queremos relações com seres que gostam do que gostamos. Normal! Assim que se formam os grupos dentro da sociedade. Entendemos a frustração que é uma bela garota falando que adora os filmes do Owen Wilson. Ou aquele rapaz que ainda segue Big Brother como se fosse o novo Messias. Poderia ser pior: a(o) jovem poderia ser fã de sertanoj, ops… sertanejo universitário.

Pensamentos e apreciações contrários costumam afastar as pessoas. Não deveria ser assim – nem na Terra, nem no mundo da Google. Humildade e compreensão deveriam fazer parte da sua vida digital. Respeite o gosto alheio se você ainda quer contato com a moça que vai na Villa Mix. Não precisamos aceitar. Ninguém precisa… Só se você quer ser um(a) dominado(a) passivo(a).

Nossa linha do tempo no facebook ou qualquer outra rede social não é imutável. Temos o direito de “curtir” coisas que não gostamos pelo simples fato de querer saber mais sobre aquilo que não gostamos. Tenhamos a percepção de entender que não somos o que postamos. Não em 100%. Não é porque alguém tem simpatia pelo Jair Bolsonaro que quer a volta da Ditadura Militar. Nem toda pessoa que curte no pain, no gain gosta do cheiro de academia. Assim por diante

Antigamente, lê-se antes da internet, tentávamos modificar nossos futuros parceiros para o agrado pessoal. Estamos fazendo a mesma coisa com o perfil online alheio. O debate, o confronto são ótimas oportunidades para ficar próximo da pessoa almejada. Use as diferenças a seu favor. Existe a controvérsia de ideias? Demonstre inteligência, argumentos, capacidade de ouvir, seu autocontrole…

Em Quem Não Votar

Segue abaixo uma pequena lista acerca de determinados candidatos que não deveriam merecer o nosso comprovante da festa da democracia.

* Candidato quem envia spam

Seja whatsapp, facebook, email, … Alguns dizem que a propaganda é a alma do negócio. Chora Kotler! Contudo, não voto em postulantes ao governo que cria lixo online. E já parou para pensar que você não repassou seu número para nenhum político? Como que eles conseguem seus dados sem a sua autorização?

* Candidato que suja as ruas

Agora a questão saí do âmbito binário. Semana do pleito é aquela maravilha para os coletores de lixo/gari. A sua rua, sua seção eleitoral, seu bairro todo emporcalhado. Torça para não chover no dia após as eleições. A situação piora exponencialmente.

* Candidato com ficha suja

Parece meio óbvio, mas determinados eleitores que possuem o curioso pensamento “rouba, mas faz”. Um quê de malufismo. Não importa se roubou um saco de arroz para sustento próprio ou milhões do erário. O crime é o mesmo! Cansado de ver brasileiro dando aval a “político profissional” que já esteve em várias atividades ilegais.

* Candidato que tem (teve) mandato e nada fez

Entendemos que, às vezes, a “autoridade” na fez nada devido a carência de alianças e/ou falta de influência sobre os demais. Entretanto, fique com quatro anos sem produzir para ver se seu chefe não te demite. O mesmo deveria valer para a classe política.

* Candidato que possui familiares políticos

Sabemos que o simples fato de várias pessoas da mesmo clã serem candidatas ou terem mandatos vigentes não as tornam incompetentes. Todavia, a história da política tupiniquim nos faz refletir sobre o tema. Desde a segunda redemocratização estas famílias governantes não agradam a quem tem o mínimo de senso crítico.

* Candidato que pula de galho em galho

Não vote em partido. Vote em homens/mulheres. Algumas autoridades não apresentam o comprometimento com o próprio partido. Mudam de legenda ao bem-prazer… Ou de acordo com a conveniência de se manter no poder. Por que estes senhores públicos teriam engajamento com seus eleitores?

* Candidato com prestações de contas irregulares

Pode ser prestação de gastos em campanha ou declaração de bens. Pessoa que almeja cargo público não pode mentir/omitir estes dados. Mesmo que a lei não exija a aprovação das contas, os eleitores não deveriam eleger tais candidatos

* Candidato “fiel de igreja”

Católico, evangélico, espírita ou do candomblé. Não estamos dizendo para votarmos em ateus. Somente não votemos em políticos que usam a fé (ou a ausência da mesma) para adquirir a simpatia de certos grupos. Observação: o mesmo vale para candidatos que tem fortes relações com qualquer time de futebol.

Estamos, ainda, numa nova democracia. Não se chega a 30 anos se contarmos de 1985 – fim da última ditadura no Brasil – até 2014. Comparando com outras nações, nós estamos aprendendo a votar. Lógico que deveríamos evoluir de forma mais rápida. Certamente que uma lista com apenas oito tópicos é pouco para elucidar alguns eleitores. No entanto, se escrevêssemos todos os pontos necessários sobraria alguém digno do nosso voto?