O que é cárie?

DSC00261A cárie dental é uma doença multi fatorial, ou seja, vários são os fatores intrínsecos ou não que determinam sua etiologia. O tipo e consistência da placa dental, consumo excessivo de açúcares, depressões do sistema imunológico por uso de medicamentos, baixa produção de saliva e falta de higiene são algumas delas.

Uma escovação vigorosa e atenta torna-se importante na prevenção e controle da atividade cariogênica. Consultas periódicas ao dentista e a remoção de placa madura com o polimento dental também devem fazer parte da rotina das pessoas. A escovação caseira, por melhor que seja não consegue remover efetivamente toda placa.

O processo inicia-se como uma lesão de mancha branca ou opaca pela perda de mineral dental. A sacarose (açúcar comum) é o principal veículo para o início da desmineralização do esmalte dentário. Uma placa bacteriana, já madura, composta principalmente por bactérias capazes de transformar e manter o meio bucal ácido (estreptococos mutans) determina o início da lesão cariosa.

Uma forma de se controlar a ação bacteriana é o consumo de tais substâncias durante as refeições, pois o fluxo salivar é maior. O uso de creme dental fluoretado e o ato mecânico da escovação são importantes para manter uma estrutura dental sadia. O fio dental deve ser utilizado entre os dentes como forma de polir tais regiões onde o acesso torna-se um pouco mais complicado.

Aqui algumas perguntas que sempre me fazem:

.Qual creme dental devo utilizar?

Na realidade sempre escutei que a melhor pasta era aquela amarelinha da Kolynos (hoje sorriso). O que quero dizer com isso é que qualquer pasta que contenha uma concentração razoável de flúor (1500ppm) pode ser utilizada. Não há necessidade de se procurar pelas mais caras do mercado ou pelas que prometem milagres. O ato da escovação (físico) é bem mais importante na remoção da placa bacteriana do que o veículo.

.Qual a quantidade de creme eu devo colocar na escova dental?

Não precisa fazer o famoso topete mostrado nas propagandas de televisão. A pasta é apenas um veículo para escovação que em hipótese nenhuma substitui o ato mecânico. Basta colocar uma quantidade proporcional a unha do dedo mindinho. Já é mais do que suficiente para a escovação completa da boca.

.Qual a importância do Flúor na escovação?

O Flúor é importante na prevenção e terapia de uma lesão inicial. Existem várias formas de se obter o Flúor no mercado: Creme dental, gel, soluções para bochechos, água potável além de outras. Seu uso deve ser controlado, evitando-se assim intoxicações e más formações dentais em crianças. Durante o processo de remineralizarão dental o Flúor tem atividade principal na obliteração dos canais produzidos pela ação bacteriana na estrutura dental.

.Que escova dental devo comprar?

Principalmente as que possuírem cabos retos e cabeças pequenas. Desta forma o acesso a todas as áreas dentais torna-se facilitado. Deve-se também dar maior preferência às escovas macias que causam menos danos aos dentes e a gengiva.

Interessante aqui é ficar atento na hora de se trocar a escova por uma nova. Alguns fabricantes colocam corantes que mudam de cor, outros optam para se trocar a cada três meses. Na realidade isso vai depender muito da utilização de cada um. Quando a escova começar a ficar com cerdas deformadas e encardidas, está mais que na hora de haver a troca. As cerdas funcionam como lâmina de faca que acabam cortando a gengiva, possibilitado o aparecimento de inflamações.

.Devo escovar a língua?

Sim. Não somente a língua como toda a cavidade bucal como as bochechas, palatos, etc. Para tal deve-se optar por uma escova macia não sendo a mesma para a higiene dental. Fazer movimentos suaves para não gerar traumas.

.Posso fazer bochechos com soluções de Flúor?

Sim. As soluções encontradas no mercado para bochecho são utilizadas para terapia diária ou semanal dependendo da concentração de flúor. Não substituem a escovação mecânica, mas torna-se um ótimo aliado na prevenção e obtenção de flúor.

O efeito do Flúor é a médio longo prazo. A estrutura dental, assim como algumas restaurações, possui a capacidade de formar depósitos da substância que serão utilizadas assim que necessário.

. Quantas vezes ao dia devo escovar meus dentes?

O que importa aqui não é a quantidade e sim a qualidade da escovação. Escovamos mais vezes para que nosso hálito fique agradável. Uma escovação vigorosa e feita com atenção é mais do que suficiente ao dia na remoção da placa dental.

.Meu dente ao lado pode pegar cárie?

Sim. A cárie é uma doença transmissível. Desta forma deve-se fazer um constante controle de higiene bucal.

A cárie é uma doença contagiosa e progressiva. Deve ser controlada desde o início da dentição em crianças. Visitas periódicas ao dentista devem fazer parte da rotina de manutenção da saúde bucal. Hábitos de escovação e higiene devem ser estimulados desde cedo nos pequenos.

Termino com uma frase que sempre escuto de pacientes que usam prótese:

“Se soubesse como seria teria cuidado melhor dos meus dentes”.

Anúncios

Para quando o amor chegar

amorEsquentei um pouco de água, liguei a vitrola no lado a de um disco qualquer. Fiz um chá e sentei na poltrona mais confortável da sala a fim de esperar pelo amor. Queria que ele chegasse e, enfim, se instalasse. Ficasse. Para nunca mais ir.

A noite passou e eu esperei. Pensei. Me angustiei. Porque o amor não vem? E de tanto esperar e pensar, uma resposta me fez relaxar. Sossegar. E dormir tranquilamente.

O amor não é algo que se espera. Não é o tempo que traz. Como o perdão ou a paz. Nisso sim, o tempo é mágico. Em fazer a mágoa passar. O coração se aquietar. E tudo o que de ruim existe, deixar. Mas nem o tempo é capaz de trazer consigo o amor.

Porque o amor não tem hora para chegar. Não é um encontro marcado. Naquele dia, naquele lugar. Enquanto o sol se põe devagarinho por trás das árvores de um parque, numa tarde de verão. Ou inverno. Pouco importa. O amor sempre vai aquecer o coração.

O amor também não é algo que se procura. Porque a gente só encontra o que perdeu. E parece que a teimosia em procurar é recompensada com o fato de nunca encontrar. Erro meu. Erro seu.

Sossega o coração. Não espera. Deixa que a surpresa se faça. Porque, de certo, uma hora ele há de aparecer. Numa fila de uma padaria, em uma manhã qualquer. Num elevador onde pouco vai importar se está quente ou se chove. No vagão do metrô, mesmo lotado. Num esbarrão. No banco de um parque. Sentado. Sem querer. Sem prever. Às vezes, até sem caber. Inesperadamente o amor vai chegar e você vai saber. Porque mesmo nunca tendo o visto na vida, você terá a certeza de que é ele que está ali. E sem dizer nada. Sem música. Sem chá. Ele vai chegar e ficar. E se for verdadeiro, vai durar. Enquanto for amor.

Religião – visão pessoal

Futebol, política e religião são os assuntos que mais geram discussão. Como não me sinto seguro em debater sobre os dois primeiros, ficarei apenas com o último.

Venho de uma família bastante praticante, na maioria, membros da Igreja Católica Apostólica Romana. Já fui “coroinha” de igreja, frequentador assíduo das atividades voluntárias como coordenador de grupos de Crisma e Jovens. Por nove anos consecutivos participei de muitas atividades na Paróquia de São Pedro em Petrópolis, comandada pelo pároco que em suas posturas mais radicais ou mesmo questionadoras me mostravam que a religião ainda tinha um bom caminho a trilhar. Faziam-me acreditar na bondade e caridade dos Homens. O fato de não precisar ter “carteirinha” para distribuir a comunhão, ou mesmo dar preferência aos novatos que estavam nos visitando, tornava suas celebrações mais dinâmicas. As bananas mostradas com seus braços durante a homilia eram no mínimo estimulantes para pessoas questionadoras como Eu. Suas críticas em plena celebração levavam os fieis aos ataques de risos. Sentia-me parte de uma comunidade ativa e aberta.

Muitos foram os motivos que me afastaram um pouco da religião. A escolha do novo Pontífice, a meu ver, fez a igreja católica regredir vários anos. Acredito que seria hora de uma renovação, de colocar uma pessoa mais nova com uma cabeça mais aberta. A Igreja Católica continua arcaica e presa a valores que já deveriam ter ficado no passado. O celibato, por exemplo, não passa de uma forma que a igreja arrumou para não sustentar famílias ou mesmo manter todo seu patrimônio. Deveria existir como uma opção e não obrigação. Quem já esteve no Vaticano, em Roma, fica um pouco impressionado e ao mesmo tempo revoltado com tanta riqueza e ostentação. Reclamam tanto das novas seitas com relação aos dízimos, mas não ficam atrás. Perseguiram e mataram pessoas inocentes em nome da moral e bem costumes na idade média. O incentivo ao preconceito é algo abominável em uma sociedade em constante transformação. O homossexualismo, por exemplo, pode não ser aceito por muitos, mas as pessoas ainda merecem e tem direito ao respeito e a cidadania. Serem contra o uso de preservativos nem merece meu comentário. Numa situação onde tantas doenças sérias são transmitidas, isto é no mínimo uma atitude suicida não muito diferente das seitas fanáticas que incentivam a morte de seus fiéis.

Com relação aos evangélicos, cansa-me um pouco, usarem o nome de Jesus como responsável por tudo que acontece ou deixa de acontecer. Camisetas e adesivos vem tornando o Senhor uma pessoa de carne e osso mais pop que muito cantor sertanejo. Isto também, já acontece na igreja Católica, através de uma ala mais carismática. O Santíssimo nunca esteve tão deturpado com seu nome proferido em atitudes cada vez mais fanáticas. A quantidade de “santinhos” com mensagens religiosas e de salmos chegam a incomodar, a tirar nossa privacidade. Não obstante o grande número de portinhas abertas que viram igrejas e arrebatam uma quantidade imensa de fiéis que acreditam piamente que vendendo suas coisas e dando dinheiro ao pastor estarão comprando seu pedaço no paraíso.

Aqui coloco o relato de uma situação pessoal. Realizamos durante a formatura, um culto em uma Igreja Batista. Até o momento em que um dos pastores começou ofender a imagem e questionar os diversos nomes recebidos por Nossa Senhora, tudo corria bem agradável. Por ser a maioria dos formandos católicos, tal situação foi de total desrespeito. Fui o único da turma a reagir. Não levantei mais durante todo o decorrer da celebração. Também não me deixei ser abençoado por pessoas que não respeitaram minha crença. Um pastor veio até mim com uma Bíblia e disse em alto e bom som:

 “Jesus te Ama!”

Respondi da mesma forma:

“Maria também!”

Tenho consciência que o restante do culto foi bastante constrangedor, não só para os pastores da igreja, como para a maioria dos presentes. Alguns pais de formandos deram-me apoio ao final da encenação.

Com relação às Testemunhas de Jeová ocorreram-me duas situações interessantes: Fui abordado por um grupo que em minha santa inocência, procurava meus préstimos profissionais como dentista. Uma do rebanho era esposa de um funcionário de meu pai. Bateram em minha casa em pleno domingo pela manhã querendo me converter. Tentaram me entregar folhetos e puxar conversa. Não preciso dizer que mexeram com a pessoa errada. Uma amiga de minha colega faleceu, pois não aceitam transfusão sanguínea. O sangue, segundo os mesmos, possui “impurezas”. Difícil convencer um profissional de saúde aceitar tal fato.

Claro que não consigo falar em um texto sobre a maioria das religiões existentes no mundo moderno. Também sei que muitas ou quase todas apresentam seus lados positivos e fiéis devotados e humildes. Infelizmente, na maioria das vezes, seus dirigentes exploram os inocentes, moldando-os a servir da forma que os convém. O senso crítico deixa de existir e as pessoas viram meros presidiários do Antigo e Novo Testamento, escritos a mais de dois mil anos atrás. As igrejas acabam por robotizar seus fiéis. A meu ver, meras indústrias capitalistas, sustentadas por uma massa à procura da solução de seus problemas. Chega a ser ridículo os teatros feitos para extirpar os demônios do corpo, a forma com que pedem dinheiro descaradamente aos fiéis e o enriquecimento ilícito de seus donos e dirigentes.

Não quer dizer com isto que Eu seja Ateu ou não acredite em Deus. Muito pelo contrário. Não acredito nos Homens. Não acredito naqueles que usam o nome de Deus em vão. Não acredito naqueles que não vivem a tolerância e humildade. Não acredito naqueles que estimulam o preconceito. Não acredito naqueles que perdem seu senso crítico e individualidade. Acredito sim numa Igreja formada por homens de boa fé. Numa Igreja não templo. Numa Igreja onde o Amor prevaleça nas relações pessoais.

Jesus, Filho do Deus vivo, tende piedade de nós!!!

O perigo do modismo

imagesA moda, aquilo que entra em evidência, o que faz sucesso, o que chama a atenção nem sempre é algo que traz benefício, eu arriscaria dizer que praticamente nunca traz benefício. O modismo dá lugar à lógica, à razão e muitas vezes nos põe em situações de risco, e problemas de saúde, por exemplo, nos anos 50, 60 e até mesmo “meados” dos anos 80, existia um certo glamour em fumar, aparecer com um cigarro na ponta dos dedos, sabemos hoje o quanto esse “ser chique” custou caro àquela geração: câncer de boca, câncer de pulmão, dependência química, entre outros males que poderiam ser evitados.

As gerações passaram e o conceito de moda também, assim como a forma que desejamos ser vistos, antes, o mundo em intensa transformação, andar na moda era transgredir, pregar o amor livre, usar drogas – tabaco entra nessa lista. Nosso conceito de moda hoje é mais estético do que comportamental, a busca pelo corpo ideal leva milhares de pessoas às academias, aos consultórios de profissionais de saúde buscando milagres e condicionamento físico repentino, mulheres pintam, puxam e esticam os cabelos, colocam botox e silicone indiscriminadamente, usam e abusam de hormônios. Não sem muito espanto, essa busca inveterada pelo belo, perfeito a qualquer custo trouxe muitos clientes aos consultórios dentários, pacientes/clientes querendo o milagre do sorriso pelo e imaculado. Não medem esforços e nos crivam de perguntas sobre clareamentos, aplicação de resinas para cobrir imperfeições, trocar as antigas amálgamas por algo mais estético, e o campeão de perguntas: o aparelho ortodôntico.

Antes de falar sobre o modismo do falso aparelho, convém explicar um pouco sobre a indicação de um tratamento ortodôntico.

Os aparelhos podem ser divididos em dois grupos: os removíveis e os fixos. Os removíveis são encaixados na boca, podendo ser retirados pelo paciente ou ortodontista, e dependem da colaboração do paciente. Podem ser ortodônticos – que realizam pequenas movimentações dentárias -, ou ortopédicos, utilizados nas correções de alterações ósseas de crescimento. Estes últimos são colocados em crianças e adolescentes durante a fase de crescimento, inibindo ou estimulando o desenvolvimento dos ossos, ou ainda, redirecionando uma tendência de crescimento desfavorável. Para serem efetivos devem ser usados pelo maior número de horas por dia.

Já os aparelhos fixos são usados quando se deseja movimentar dentes no osso. São compostos por bráquetes que podem ser metálicos, plásticos ou de porcelana, que suportam o arco metálico. Com o uso de aparelhos fixos, um melhor engrenamento entre os dentes superiores e inferiores é obtido, restabelecendo um sorriso equilibrado. Cada aparelho tem uma indicação precisa e quem vai determinar qual o melhor tipo e quanto tempo de tratamento é a arcada dentária do paciente. Cada caso é um caso e cada aparelho é projetado e planejado para corrigir aquele caso da melhor maneira e em menor tempo possível.

Aparelho ortodôntico não é uma peça meramente estética, embora também seja usada para este fim, desde que tenha indicação prévia do profissional, que levará em consideração o bem-estar e a saúde bucal do seu paciente. Porém, ultimamente temos visto um número enorme de procura por estes aparelhos em quem não tem necessidade de usá-lo, ou seja, querem apenas mostrar o aparelho, como forma de glamour, ostentação, babaquice. Nos EUA já virou uma febre entre atores e cantores, os “Grillz” são usados por Madona, Justin Bieber e Kate Perry, esses aparelhos são feitos muitas vezes de ouro, diamante e pedras preciosas. Por aqui a moda também avança a passos largos, os funkeiros do chamado “funk ostentação” já exibem sorrisos metálicos pelas ruas.

Quais são os riscos então de se usar o aparelho fixo sem nenhuma eficácia?

1 – Quando o paciente usa aparelho ortodôntico, há o uso uma força determinada para corrigir os dentes, correção também dos maxilares, mandíbula e posição da articulação envolvida (a temporo-mandibular), o uso indiscriminado desse aparelho terá força também, porém sem parâmetros de direção, intensidade e quantidade, levando os dentes a se moverem aleatoriamente.A raiz pode amolecer, o dente pode cair e os ferrinhos falsos podem machucar a gengiva.

2 – Outro perigo é a forma como o aparelho é fixado, com cola extra forte, danificando o dente e podendo causar lesões na mucosa bucal.

3 – Os jovens gostam de estilizar o aparelho com elásticos coloridos, alguns colocam mais de um elástico isso além de forçar mais o dente, ainda dificulta na higienização da boca, dos dentes acarretando em problemas maiores como os periodontais. Quando o profissional indica o aparelho ortodôntico, ele avisa quanto aos cuidados na manutenção do mesmo, afim de proteger a saúde do seu paciente/cliente.

Claro que para cada busca, há uma oferta. Os aparelhos cada vez mais em evidência e profissionais sem um pingo de compromisso com saúde do seu cliente, acabam negociando um aparelho barato, muitas vezes o cliente sequer passa no consultório dentário para uma avaliação, vão logo ao laboratório do ortodôntico para conseguir o seu objetivo. Um perigo real e negligenciado por quem deveria zelar pela qualidade e bem-estar das pessoas.

Eu sei que de 10 adolescentes, 5 já tiveram vontade de usar gesso, óculos e aparelho ortodôntico, se você não precisa de nada disso, agradeça, mas não faça uso desnecessário para que no futuro, não estrague o que estava bom.

separação

separacion-de-la-parejaEles se olhavam perdidos, imersos em suas queixas,esperando que o outro tomasse alguma atitude. Nada. Ela olhava suas unhas rubras, aquela cor que ele gostou de ver nela. Ele mexia um copo de whisky enquanto tragava o cigarro do qual já nem sentia mais vontade, mas precisava ocupar o seu tempo.

Já se passavam dois anos desde que tudo começou e cada vez eles se falavam menos, se viam menos, se reparavam menos. ele já não sabia qual a cor das unhas dela. ela nem notou que o whisky substituiu o vinho. Por que mesmo eles estavam juntos? não havia filhos. Não havia dívidas. Havia amor? se havia, não parecia ser suficiente.

Paul McCartney era o único que quebrava o silêncio. My valentine ecoava pelo quarto meio escuro, meio claro, nem grande, nem pequeno. era um quarto justo, digamos assim. Uma cama grande, um espelho médio, pequenos quadros na parede. uma escrivaninha no canto e duas cadeiras, as cortinas eram velhas, mas quem se importava?

Já passava das dez horas da noite. Ele deu mais um gole e levantou, caminhou em direção a janela, olhou para fora e viu alguns carros passando em frente ao prédio do outro lado da rua, vermelho como as unhas que, a essa altura, já perdiam as cutículas entre mordidas. um longo suspiro. Desde que se conheceram, em uma reunião de trabalho naquela quente tarde de sexta-feira, ambos sabiam que isso era inevitável.

Sem mais e pela última vez, ele a pegou pelo braço, trouxe para perto de si e a apertou o mais forte que pôde. Um abraço que durou o tempo suficiente para uma lágrima percorrer a distância de um olho até o carpete que cobria o chão. Por mais triste que fosse, eles precisavam se separar, sem olhar para trás, ele fechou a porta e se foi.

Naquela noite, chegou em casa em silêncio. não brincou com o cachorro, não comeu, não acendeu a luz do quarto enquanto tirava o terno e colocava um pijama. simplesmente deu um beijo em sua esposa e dormiu.