Liberdade condicionada

1922333_411002729048530_8856219050006028281_nHouve um tempo em que eu concordava com o ditado popular de que futebol, política e religião não se discute. Nesse tempo eu era sustentado pelos meus pais, vivia sob o jugo deles, logo, o que era dito lá naqueles pequenos cômodos no bairro do Flamengo, eram lei. Não era uma coisa simples, mas tampouco opressora, nos tempos de moleque, quando a conversa engrossava, eu ia para o quarto ou para a rua brincar.

Hoje, na minha casa discutimos sobre tudo, menos da vida alheia porque é feio e não acrescenta. No debate político na Rede Record, onde o Levy Fidelix foi extremamente infeliz nas suas colocações, eu me senti mal. Não, não me ofendi com o que ele disse, embora ache que ele se excedeu, não soube explicitar seu ponto de vista e faltou com o respeito. Ele foi tudo, menos homofóbico, aliás há um grande equívoco sobre o significado dessa palavra, mas isso não é assunto deste post. Me senti mal pela nossa liberdade cerceada e de sermos rotulados acerca daquilo que falamos.

Até que ponto uma opinião pode chegar? Como defensor da livre expressão, eu digo que ao ponto em que ela quiser, respeitando ou não o meu próximo. Quem se sentir ofendido com qualquer declaração deferida, exercerá seu “direito” de resposta, inclusive em âmbito criminal. Como profissional da imprensa que sou, acredito que a liberdade de expressão, além de ser um instrumento importante da democracia, ela é uma promotora da paz. Poder dizer o que se pensa é um bem social incrível pois é isso que nos permite o debate e a discussão de ideias que poderão melhorar a vida de todo mundo. Ninguém precisa concordar com a opinião do próximo, mas respeitar ainda que se sinta ou não se sinta desrespeitado, é um princípio de justiça, antes de mais nada.

Nesses tempos de rede social e uso indiscriminado dessa liberdade assegurada em lei,  as pessoas perderam um pouco a noção do que seja opinião e discussão. Vejo centenas de pessoas defendendo ponto de vista acima de qualquer custo, dizendo sua verdade como se ela fosse universal, como aquele sábio velho nos disse uma vez: “Se quiser pôr a prova o caráter de um homem, dê-lhe poder. ” – Abraham Lincoln tinha razão, o poder consome mais rapidamente que o fogo, porque ele cria uma sensação ilusória de razão, e quando isto vem seguido de likes no facebook, o sujeito se vê como um formador de opinião. Não que não sejamos nunca. A verdade é que as redes sociais formam opinadores de título, pessoas que sequer entendem o cerne das questões e vomitam suas sabedorias baseadas naquilo que o fulano leu, entendeu como quis e postou meia dúzia de palavras no site, no blog, no twitter, no facebook e com isso geramos, quase sem querer, uma geração de pseudo-entendedores e uma gama imensa de desonestidade intelectual. Isso é um perigo, meias verdades não fazem uma verdade inteira. Se houvesse algum bom senso no uso da nossa liberdade seria muito mais proveitoso, é claro, nossas discussões seriam mais ricas e aprenderíamos muito mais.

Mesmo com tudo isso continuo defendendo a liberdade seja de quem for, quem se sentiu lesado com as declarações do Fidelix que o processe, mas deixe o homem falar, isso inclusive serve de base como formação de nossa opinião sobre aquilo que ele tem de propostas e de melhorias para o país. As urnas mostraram isso, seu partido anão jamais o elegeria. Defendo a liberdade dele como defendo a minha que não declaro como lei, mas é aquilo que penso, a forma como vejo e percebo o mundo e por favor, quando eu me equivocar, corrijam-me, expliquem o meu erro, mostre-me a sua verdade. Vamos usar a nossa liberdade. Com Responsabilidade? se tiver, melhor ainda.

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Impactos Socioeconômicos/Culturais do Turismo

Com 11% do PIB mundial estando vinculado ao turismo e 260 milhões de pessoas empregadas nessa área, vemos que o conjunto de atividades do turismo agrega números significativos. O turismo brasileiro ainda não se destaca perante o resto do planeta, porém grande parte dos segmentos desta área estão em nosso território. O turismo gera parcos 40 bilhões de dólares para os cofres tupiniquins. Valor irrisório para o potencial existente no Brasil

As razões mais preocupantes para o país não implantar um turismo forte são a falta de disponibilidade de recursos humanos e físicos existentes para se desenvolver os setores industriais e a agrícolas. Para a otimização do fluxo turístico, é importante que haja políticas de turismo nacional/estadual. Devem ser encontradas as soluções para resolver problemas de escassez de recursos, realizando atividades diversas em certas áreas.

Muitos países não tem mão de obra experiente que assumir a responsabilidade no estímulo e na coordenação do desenvolvimento turístico. O governo deve planejar o tipo de turismo e sua capacidade de carga turística limite (número máximo de pessoas numa localidade sem que ocorra a deterioração da zona turística) a fim de que haja um aproveitamento maior de ambas as partes. Autoridades governamentais também devem estabelecer políticas de preços equilibrando a demanda com a oferta turística. Leis locais devem ser alteradas ou criadas para promover seu fomento. E, ao mesmo tempo, preservar o patrimônio que a comunidade deseja manter. É importante que haja uma maior informação sobre o custo e o benefício do turismo para adquirirem o desenvolvimento desejado através de um planejamento adequado de acordo com as informações obtidas.

Para alguns estudiosos o turismo é uma indústria frágil e a colocam na área de “investimento de risco”. O turismo é muito dependente de fatores da demanda externa normalmente encontrada nos países desenvolvidos. Para outros estudiosos o turismo pode ser explorado como uma alternativa para os mercados perdidos. Um dos pontos mais positivos do turismo é a geração de empregos, porém grande parte desses empregos exige pouca qualificação e proporciona baixa remuneração. E muitos desses empregos são sazonais.

Outro fator importante do turismo são os gastos do turista. Isso faz com que haja um aumento na demanda de bens/serviços, o qual promove emprego e poder de compra para a população local. Mulheres e jovens que não teriam oportunidades de emprego tão rapidamente conseguiriam esses empregos através da indústria do turismo.

Contudo, o turismo pode degradar uma zona turística. Seja destruindo gradativamente o lugar ou “leiloando” essas terras. Por exemplo, aumentando o preço da terra de uma determinada área turística, facilitaria muito o comércio desta área para os estrangeiros, pois eles, teoricamente, detêm muito mais capital que as comunidades locais. Alguma semelhança com quase todas as cidades com potencial turístico no Brasil?

Outros tópicos relevantes seriam alguns valores antropológicos e culturais de uma região que poderia se descaracterizar para agradar os turistas. Na Bahia, por exemplo, o tamanho do berimbau foi reduzido para que ele coubesse dentro do espaço reservado para bagagem dentro do avião. Em alguns lugares, roupas típicas são deformadas porque os turistas não vestem as roupas, só as querem como lembrança. Todavia, através dessa aculturação surgem várias cooperativas de mulheres que começam a ter autonomia financeira, ameaçando a hierarquia patriarcal.

Pontos como empregos e transportes podem afetar negativamente uma cidade, pois alguns empregos, como dito anteriormente, são temporários. E com isso, as pessoas não criam vínculos com a atividade turística, porque com o término da alta temporada os empregos temporários são desativados. Já no caso dos transportes, a cidade tende a ficar congestionada. Turistas e comunidade local acabam competindo pelo mesmo serviço de transporte coletivo – que já não é dos melhores na maior parte do território brasileiro.

Quando o número de turistas ultrapassa o esperado ou o de costume, passaremos a ter um certo atrito social entre os receptores e os turistas. O crescimento da população também pode atrair negociantes indesejáveis como o tráfico de drogas, prostituição, jogos ilegais… O planejamento turístico efetivo poderia auxiliar novas destinações turísticas para que não entrem em declínio permanente. Também é importante, e necessário, rever os erros da exploração no passado, a fim de que impactos negativos sejam minimizados ou extintos.

Nossas diferenças…

10703639_854952487850277_6298623721950831980_nQuando conversamos sobre casamento, acreditamos que ele só é válido mediante a aprovação da legislação – o que chamamos de papel passado – ou então quando se passa pelo crivo da instituição religiosa, simbolizado pelo sacerdote e convidados, seguidos de uma festa. Se observarmos atentamente, um casal não necessita destes dois requisitos acima para unir-se, basta apenas um sentimento de afetividade recíproco para que isto ocorra. Quando duas pessoas tomam a decisão de viverem como um casal, já estão casados, independente da papelada.

Com isto em mente, digo que acho desnecessária esta luta que existe contra a união de pessoas do mesmo sexo, tão latente nos últimos dias e que ganhou maior volume com as declarações do candidato à presidência, o senhor Levy Fidelix. E engana-se quem pense que tecerei algum comentário sobre suas declarações no debate apresentado dia 28 de setembro, transmitido pela Rede Record de Televisão. Querem lutar contra algo que na sua prática, já existe!

A razão primeira daqueles que são contra uma legislação que reconheça a união é a luta pela conservação da família. E isto, acompanhado de argumentações rasas de cunho religioso. Destas discordâncias de ideias, nasce um embate – mais acentuado – entre evangélicos contra o restante da sociedade que, a meu ver, já entendeu como verdade a introdução que apresentei para o meu texto. Eu mesmo já rompi com meus familiares por haver discriminação, em defesa dos bons costumes e da condenação da prática homossexual.

Diante disto eu me questiono quais bons costumes precisam de defesa quando o modelo tradicional de família – como conhecemos – na grande maioria das vezes, já está deteriorado? Em tempos que as relações se estendem apenas a curtidas, follows e compartilhamento de status, o que realmente estamos defendendo? O que realmente defendemos é nosso egoísmo.

Qualquer humano que frequente uma igreja sabe que Deus nos reservou a prerrogativa do livre-arbítrio, bem como a prestação de contas de nossas atitudes de maneira individual. Diante de Deus, cada um responde por si. Nenhum esforço que eu faça pode justificar ou amenizar o que há por vir quando a escolha foi sua. E não, não estou dizendo que ser ou não homossexual é errado. Busco esclarecer apenas.

Nosso egoísmo é tamanho que buscamos negar direitos inerentes ao ser humano, travestido de uma santidade deturpada. Sequestramos o discurso bíblico e fazemos dele a nossa verdade quando nem mesmo Deus obriga o ser humano a segui-lo. Quem decide é você, não Ele.

Outro assunto que parece que não entra na cabeça das pessoas, um estado laico não quer dizer o mesmo que um estado ateu. Eu devolver direitos inerentes ao ser humano não quer dizer que eu negue a existência divina. E para o outro lado a mesma coisa, não é preciso eu negar a existência divina para que possa brigar pelos meus interesses. Enxergo uma burrice absurda aqui. Questionamos a existência ou não de Deus, pela avaliação que fazemos dos homens. Ora, já está claro que Deus nada tem a ver com tantas atrocidades que a humanidade comete. E se Ele existe, por que permite? Oras, porque Ele não obriga o homem a nada.

André Comte-Sponville, filósofo materialista, é meu principal modelo de ateísmo que existe. Coleciono quase todas as suas obras e não o vejo perder tempo tentando provar a inexistência de um criador. Ele não acredita e ponto. No entanto, é possível ele usar citações dos Evangelhos e até tecer alguns comentários sobre de Deus, sem a necessidade de atacá-lo ou de diminuir o seu poder. Se possível, aprendam com ele.

Se me perguntam se sou a favor da união estável? Claro que sou. Sou a favor de que o ser humano tenha os seus direitos respeitados, principalmente como cidadão. Com direito a heranças, adoções e tudo o mais que outro ser humano de orientação sexual contrária tem. Sou a favor da igualdade, em sua totalidade. “Se eu tentar obrigar as pessoas a seguirem os preceitos bíblicos apenas, eu seria antiético e imoral”, – diz meu amigo Jailson de Souza.

Somos defensores da moral, mas que o cerne desta moral seja a compaixão ou então podemos deixar de lado a máxima de Jesus que diz: “Ama a teu próximo como a ti mesmo”. Se eu não tratar o outro como gostaria de ser tratado, isto não me faz santo e nem melhor diante de nosso Criador, só me faz um pobre coitado que não consegue observar um dos seus principais ensinamentos.

… mas ela(e) “curtiu” isso!?!?

 

Basta uma curtida fora do nosso padrão para julgarmos nossa futura presa. Supomos sermos superiores. Apenas nossos gostos e opiniões valem. Daí a guria (ou garoto) clica em curtir em algo que você ojeriza e “já era”. Toda a história que você já havia romanceado na sua cabecinha começa a se pulverizar.

Todo o perfil real (e virtual) que você imaginou na pessoa vai por “lixeira” abaixo. Queremos relações com seres que gostam do que gostamos. Normal! Assim que se formam os grupos dentro da sociedade. Entendemos a frustração que é uma bela garota falando que adora os filmes do Owen Wilson. Ou aquele rapaz que ainda segue Big Brother como se fosse o novo Messias. Poderia ser pior: a(o) jovem poderia ser fã de sertanoj, ops… sertanejo universitário.

Pensamentos e apreciações contrários costumam afastar as pessoas. Não deveria ser assim – nem na Terra, nem no mundo da Google. Humildade e compreensão deveriam fazer parte da sua vida digital. Respeite o gosto alheio se você ainda quer contato com a moça que vai na Villa Mix. Não precisamos aceitar. Ninguém precisa… Só se você quer ser um(a) dominado(a) passivo(a).

Nossa linha do tempo no facebook ou qualquer outra rede social não é imutável. Temos o direito de “curtir” coisas que não gostamos pelo simples fato de querer saber mais sobre aquilo que não gostamos. Tenhamos a percepção de entender que não somos o que postamos. Não em 100%. Não é porque alguém tem simpatia pelo Jair Bolsonaro que quer a volta da Ditadura Militar. Nem toda pessoa que curte no pain, no gain gosta do cheiro de academia. Assim por diante

Antigamente, lê-se antes da internet, tentávamos modificar nossos futuros parceiros para o agrado pessoal. Estamos fazendo a mesma coisa com o perfil online alheio. O debate, o confronto são ótimas oportunidades para ficar próximo da pessoa almejada. Use as diferenças a seu favor. Existe a controvérsia de ideias? Demonstre inteligência, argumentos, capacidade de ouvir, seu autocontrole…

De como nos arruinar

11274260-e1317606795570O problema é que o ser humano é igualzinho, em todas as latitudes e longitudes do planeta: trata-se de um macaquinho que gosta muito, muito de dinheiro e de conforto.
E, sem que ninguém lhe ensine de nada, nosso símio pensante sabe atavicamente o que é bom e o que é ruim, materialmente falando.
De modo que ele sempre quer, mais e mais, o máximo possível do que é bom, e não quer, quer nada, ou quer o mínimo possível do que é ruim.
E, em sua infinita sabedoria, e imbuído de todos os truques e artimanhas de que dispuser, ele sempre quer ganhar o máximo possível, mas sempre com o menor esforço despendido.
É da natureza humana.
Todo segredo para fazer o ser humano crescer e prosperar consiste em usar-se essas suas características a favor da sua prosperidade e do seu crescimento, e não contra isso, ou seja, estimulando-o e recompensando-o materialmente apenas para as suas conquistas obtidas pelo mérito, pelo esforço, pelo merecimento.
Quer mediocrizar o ser humano?
Dê-lhe estabilidade, previsibilidade e tudo de mão beijada.

Não se assustem se encontrar qualquer semelhança com o nosso presente real.